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Novo estudo liga exercício ao cérebro e ao sistema nervoso central no ganho de resistência em camundongos

Cientista observa rato em esteira para experimento, com telas e gráficos de cérebro ao fundo.

Os benefícios do exercício não seriam nem de perto tão intensos sem a participação do cérebro, segundo uma nova pesquisa.

Um estudo com camundongos identificou um sinal essencial no sistema nervoso central que ajuda o restante do corpo a desenvolver resistência física após sessões repetidas de atividade.

Durante muito tempo, cientistas defenderam que a grande resposta do organismo ao exercício frequente acontecia sobretudo na periferia - por exemplo, nos ossos, nos músculos e no coração.

Agora, investigadores nos Estados Unidos, liderados por especialistas da Universidade da Pensilvânia, argumentam que o cérebro tem papel determinante na remodelação do corpo para sustentar atividade física intensa.

De acordo com os dados obtidos em camundongos, sinais específicos no sistema nervoso central estão a "melhorar a resistência ao exercício e a coordenar adaptações metabólicas periféricas".

Cérebro, sistema nervoso central e adaptação ao exercício

Nos ensaios, camundongos que corriam numa esteira apresentaram maior atividade em neurónios localizados no hipotálamo ventromedial (VMH). Essa área do cérebro participa do equilíbrio entre o gasto energético do corpo e as suas necessidades.

Os neurónios que mais se ativaram após o exercício - chamados neurónios do fator esteroidogênico 1 (SF1) - continuaram mais ativos por pelo menos uma hora depois que os camundongos pararam de correr.

Após 3 semanas de treino, com corrida 5 dias por semana, os camundongos passaram a correr por mais tempo e em maior velocidade, sem ficarem tão exaustos. Em paralelo, os sinais provenientes dos neurónios SF1 também estavam mais elevados em comparação com o início do experimento.

O que os neurónios SF1 no VMH revelaram nos testes com camundongos

O ponto central é que, quando a atividade dos neurónios SF1 foi bloqueada em alguns animais, esses ganhos de resistência deixaram de ocorrer. Por outro lado, quando os neurónios SF1 foram ativados artificialmente, o desempenho de resistência melhorou.

Em conjunto, esses resultados apontam para um papel poderoso da atividade dos neurónios SF1 no controlo da resposta do organismo ao exercício repetido e no aumento da capacidade de resistência.

"Quando levantamos pesos, pensamos que estamos apenas a construir músculo", diz o biólogo J. Nicholas Betley, da Universidade da Pensilvânia.

"Acontece que talvez estejamos a fortalecer o nosso cérebro quando fazemos exercício."

Evidências emergentes indicam que o exercício pode fazer bem mais do que apenas aumentar massa muscular e queimar gordura. Pequenos períodos de atividade física regular podem melhorar o funcionamento do cérebro e podem até fazer com que o sistema nervoso central pareça mais jovem.

Com frequência, os efeitos do exercício no cérebro são discutidos separadamente dos efeitos no corpo - mas, na prática, essa divisão não é tão simples.

Exercício, corpo e mente: ligações e próximos passos

O novo trabalho de Betley e colegas reforça a ideia de que o exercício conecta corpo e cérebro, abrindo espaço para um tratamento potencialmente poderoso para problemas de saúde mental, como a depressão.

"Muita gente diz que se sente mais esperta e com a mente mais clara depois do exercício", afirma Betley, da Universidade da Pensilvânia.

"Então queríamos entender o que acontece no cérebro após o exercício e como essas mudanças influenciam os efeitos do exercício."

Sabe-se que neurónios no VMH integram sinais vindos do corpo - como níveis de insulina e glicose - para regular o gasto de energia. Sem esses neurónios, os camundongos não conseguem acionar as reservas energéticas adequadas nem remodelar corretamente o sistema musculoesquelético durante o exercício.

Depois de atividade física repetida, os neurónios do VMH em camundongos exibiram quase o dobro da densidade de espinhas dendríticas. Essas projeções semelhantes a pequenos dedos permitem receber mensagens de outras células cerebrais. É possível que, quanto mais informações esses neurónios recebam, melhor consigam controlar o equilíbrio energético do corpo.

Agora, são necessários mais estudos em humanos para verificar se os neurónios do VMH na nossa espécie apresentam mudanças semelhantes após o exercício.

O estudo foi publicado na revista Neuron.

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